sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Livros, cachorros, drag queens, martelos...

    Há quase três semanas em Londres, posso dizer que me sinto adaptado. Já me acostumei ao metrô e suas loucuras – alguns dias vazio, outros tão lotado que ao parar em uma estação e abrir as portas, as pessoas são “cuspidas” do veículo – aos ônibus e seu sistema de pagamento na base da fidelidade, a imensa variedade de idiomas que se escuta nas ruas, etc. Mas algumas coisas ainda surpreendem. Como na terça ou quarta-feira. Estava eu na fila da H&M, uma loja estilo Renner, porém maior e mais barata*. Na minha frente, pagando suas compras, havia um homem de estatura mediana, barbudo e cabeludo. Até aí tudo bem, um cara alto, magro e com aparência de roqueiro. Porém, quando ele passou por mim, repararei em um detalhe estranho na sua calça jeans. Na perna direita, mais ou menos na altura do joelho, a calça estava rasgada e tinha um martelo cor prata enfiado, preso pela parte de cima! O cara rasgou a jeans na metade da perna e colocou um martelo ali! Para que diabos uma pessoa anda com um martelo na calça?
*Loja barata mesmo é a Primark, que vende camisetas a partir de duas libras, moletons e jeans a partir de quatro libras, meias, roupa de cama, um monte de produtos. Quem pensa que pelo preço deve ser um balaio se engana, os produtos são muito bons pelo preço oferecido.
    Outra coisa bem interessante eu vi domingo à tarde, quando estava em Piccadilly dando umas voltas, comprando lembranças de Londres. Depois de passar por algumas lojas, ouvi um blues que me chamou a atenção. Cheguei mais perto. O som vinha de um pub, muito pequeno. Amontoados num canto estavam um baterista, um saxofonista, um tecladista, um guitarrista e um baixista. Não sei como conseguiam tocar, porque era realmente apertado o local. Cheguei mais perto e tentei entrar, porém me disseram que teria que comprar um drink. Minha garganta estava totalmente fechada. Desisti, fiquei só escutando um pouco, admirado com a qualidade do som e com a quantidade de gente que assistia a banda dentro do pub, que deveria suportar no máximo 50 pessoas.
    Caminhando mais algumas quadras, cheguei ao bairro chinês Soho. Entre as diversas lojas, vi alguns pubs abertos, onde transitavam drag queens. Ao redor dos estabelecimentos eu enxergava um monte de homens. Alguns com aparência de  mais ou menos 35 anos, cabeças raspadas e barbas grandes, outros um pouco mais novos, cabelos curtos e barba por fazer. Todos estavam juntos e bem animados. Eles trocavam abraços, falavam alto e bebiam cerveja. Provavelmente a maioria deles era homossexual. Alguns não deixavam dúvidas, outros até poderiam deixar, mas se tratando de onde estavam, e pela facilidade que abraçavam os amigos, pareciam estar participando de uma reunião a base de cerveja e afagos.
    Saindo um pouco daquele clima de oba-oba, fui a Leicester Square, praça famosa pelos eventos em que participam várias estrelas do cinema mundial. Sentei ali e fiquei esperando o tempo passar, pois por volta das 20h iria a uma churrascaria brasileira. Não vou escrever um parágrafo sobre a churrascaria. Só um resumo: local onde trabalham só brasileiros, dono brasileiro, num bairro onde há um monte de estabelecimentos made in Brazil. Nos serviram picanha, costela de gado (ou de boi, como disse o garçom na hora de oferecer), fraldinha, coração de galinha, costela e lombo de porco. Destaque para a picanha. Preço: 22 libras pela janta, porém, pagamos oito mais o 10% e as bebidas, pois compramos numa promoção. Nota: 6.
    A produção textual do blog está lenta. Por isso vou tratar de mais assuntos e misturar temáticas. Então, saindo do estilo martelo na calça, do churrasco e das peculiaridades do bairro Soho, escrevo um pouco sobre o hábito da leitura das pessoas que moram em Londres.
    Comentei vagamente em um dos meus posts antigos que as pessoas leem muito nos metrôs. Alguns aspectos podem ajudar a entender melhor esse hábito. Não tenho a informação exata de quantos jornais são distribuídos gratuitamente em Londres. Sei que o Metro é distribuído de segunda a sexta-feira, pela manhã. Conforme consta em seu site, o Metro é o maior jornal free do mundo. Já pela parte final da tarde, o London Standard Evening  é outra opção de leitura free. Também existem revistas gratuitas, mas essas trabalham mais com o lado da propaganda e menos com o lado do jornalismo. Porém, as revistas sempre podem oferecer algum material interessante. Somado a isso, temos o baixíssimo preço dos livros. Um exemplo: A trilogia Millenium, do autor sueco Stieg Larsson, é Best seller em Londres. Você pode comprar os dois primeiros livros da série por sete libras! Lembro que, umas duas semanas antes de viajar, vi uma lista dos mais vendidos no Brasil, na revista Veja. A Cabana estava entre os cinco primeiros, e custava em torno de 25 reais. Visitei algumas livrarias aqui. Quando há promoções do dia, ou mesmo sem promoções, a diferença de preço para o Brasil é muito grande. É uma pena que essa realidade não sirva para nós.  
    Mais dois detalhes para encerrar o post. Ontem fui no Imperial War Museum. Fique duas horas e meia vendo todas as engenhocas que os humanos construiram para matar outros humanos. Aviões, tanques, facas, bombas, armas de fogo... Também tinha uma exposição sobre o Holocausto e um monte de filmes, documentos, etc. Um museu muito bem estruturado para quem gosta do assunto. Vendo tudo aquilo não pude deixar de pensar em a que ponto a nossa raça chegou. E a que pode chegar ainda? É estranho para mim ver tudo aquilo, pois como sou novo, conheço os fatos só por uma fonte: livros. É impossível para mim imaginar o que todas aquelas pessoas passaram. Não vou me estender mais sobre esse assunto, deixo isso para quem é especialista e tem algo melhor a oferecer.

    Quando estava voltando do museu, peguei o metrô cheio. Estava muito cansado e todos os assentos estavam ocupados. Minha distração foi manter o equilibrio e achar os números certos no Sudoko, o joguinho de completar os quadrados com números que não podem se repetir. Entre uma das várias paradas para “carga/recarga” de humanos, vi que um passageiro de quatro patas se destacava: um cachorro da raça boxer. E sem focinheira! Aqui é possível entrar com animais no ônibus e no metrô sem a necessidade de precaver os demais passageiros de um possível ataque de fúria do animal! Incrível! Eu nunca pensei que um dia poderia entrar num metrô em Londres com meu futuro pastor alemão!

7 comentários:

  1. Se a moda pega, em? cerveja e afago!? espero que não!
    Que bom que vc já providenciou as encomendas do povo tupiniquim que por aqui ficou!
    Pode me chamar de saudosista, mas o Sudoco me remeteu aos tempos de estágio em que o Júlio e vc passavam o tempo com o tal 'joguinho'! Sempre muito meigos vocês!
    abração garotinho,
    cuide-se nas terras além mar.

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  2. Abre o olho e não tenha atitudes supeitas ...pra não tomar um tiro por equívoco da policia inglesa como já fizeram contra outro patrício nosso.
    Basta não botar a camisa do Grêmio pra não ser confundido com criminoso. Se botar a do Inter vais ser reconhecido em toda a Inglaterra e tratado como tei....rssssss
    Nada como ser bi da Libertadores, disputando os primeiros lugares no campeonato nacional e estar treinando pra ser BI mundial...que fase, Inter !!!
    Cara, nem sabia que tu estavas aí !
    Tenha uma boa estada e que Deus te abençoe !
    Abraço do teu amigo

    Pizarro

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  3. bá, sabia que o martelo pendurado é o último grito da moda em Londres!
    já to providenciando o meu!
    haha

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  4. Aqui, tá todo mundo usando martelo na calça! E mais: comprando livros baratos (hahaha!)
    Ah... não seja chato! Boxers não têm ataques de raiva! E Por que não desistes deste pastor alemão?
    Beijos

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  5. aqui ta estourado essa música tb!
    http://www.youtube.com/watch?v=WbvAzWECU5c
    tocou em várias formaturas!
    Não to mentindo, e escutei no ônibus em POA esses dias!
    hahaha

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  6. não esquece de mostrar para teus amigos ingleses a música popular brasileira!
    "cola nesse negão que é sucesso!"

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  7. Cervejas e afagos einh... que momento brow!!! Te cuida velho!!!!! hauhauhauhuha

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